terça-feira, 31 de agosto de 2010

O Adeus do Gigante


Domingo. 29 de agosto de 2010. Eis que nesta data, às 9:20 da manhã comecei a andar pelas ruas de Salvador para assistir ao último ato de um gigante. O velho estádio se preparava para sair de cena e dar lugar ao futuro. Hoje, a Fonte Nova disse adeus aos baianos.


Nesta última semana foram várias as declarações da velha guarda do esporte baiano, atletas em atividade e aposentados, que tiveram a oportunidade de fazer um pouco da história da Fonte. As velhas histórias foram relembradas com nostalgia e emoção. A torcida do Bahia, a mais emocionada com a data, se lembrava com orgulho do mítico gol de Raudinei em cima do rival Vitória, que consagrou o atacante e o clube como campeões baianos de 94. Nas arquibancadas? 100.000 pessoas! Óbvio que a conquista do campeonato brasileiro sobre o Internacional também era razão de orgulho e emoção dos tricolores. A galera rubro-negra lembrava-se de um jogaço, 6x5 para o Vitória, com 3 gols do matador Índio. 24 de abril de 2007. No meu caminho até o estádio me lembrei de todas estas histórias.
Vi várias destas histórias. E enquanto andava, vi muitas camisas. Bahia e Vitória, claro, tinham a companhia de São Paulo, Flamengo, Corinthians, Palmeiras, Santos. Todos vieram se despedir da Fonte Nova, com seus torcedores tentando puxar pela memória qual foi o último jogo deles no velho estádio. A seleção também foi representada nesta dança das camisas. A amarelinha se despediu há muito tempo da Fonte. Em 1999, Amoroso e Giovanni fizeram os últimos gols da seleção brasileira num duelo com a Holanda, que igualara o marcador com Kluivert e Van Hossen. Estava no estádio com toda a família.
Recordei-me também do último capítulo deste gigante do futebol. O empate em 0x0 do Bahia com o Vila Nova marcou o retorno do Tricolor à Série B, depois de 2 anos na terceirona. Dia de festa, 66mil pessoas no estádio. Foi também do Bahia o último gol do estádio. Estava 2x0 para o Bahia e o lateral Ávine fez o terceiro gol. Aquilo que parecia ser apenas um detalhe na vitória sobre o ABC de Natal entraria para a história.

E comecei a procurar um local para ter uma visão clara da implosão. Era grande o número de crianças. Crianças em festa, para elas tudo era um show. Para muitos jovens também era. Mas os mais velhos...aqueles que cresceram vendo jogos na Fonte Nova estavam serenos. Alguns até faziam as tradicionais provocações aos rivais e riam como bons baianos. Até mesmo camarotes foram construídos para assistir à implosão (a primeira implosão de estádio da América do Sul). Após um pequeno atraso, aproximadamente às 10:25 da manhã, o primeiro explosivo anunciou o começo. Em menos de 20 segundos a Fonte caiu. As reações foram curiosas. Foi o dia do sorriso das crianças se misturar com o choro dos adultos. Para as crianças foi como um grande show, para muitos adultos foi a despedida de um velho amigo.




A Arena que começará a ser construída promete recolocar a Bahia na rota dos grandes eventos. Tanto que Salvador entra na disputa pela sede da abertura da Copa de 2014 e é dita como certa na Copa das Confederações de 2013. O futuro vem aí. O último grande espetáculo da Fonte Nova foi memorável. E que venha o futuro. O torcedor baiano, tão alegre e apaixonado pelo futebol, está ancioso para construir uma nova e bela história naquela que não apenas é a Fonte Nova, mas a Fonte Nossa.

Danilo Félix, para o Blog da Elite

2 comentários:

  1. Era necessário. Assim como é necessário em todos os estados. Mas por incrível que pareça, é mais fácil e lucrativo gastar bilhões em cada um dos novos estádios, renovando nossas estruturas, do que renovar os manda-chuvas do futebol no Brasil. Isso sim parece impossível e distante. Nenhum dinheiro vai tirar eles de lá, alias, quanto mais dinheiro, mais tempo eles ficarão lá e mais essa praga irá se difundir.

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  2. Bela cobertura, belo texto. Parabéns Dan.

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