--| |--
21 de agosto de 1898. 2+1=3, que para alguns numerólogos é um número que carrega a criatividade, a expressão, o entusiasmo, mas também a ostentação, o exagero, a dispersão.
Há numerólogos que acham esta soma anterior muito genérica e propõem outro algoritmo: 21+08+1898=1927, 1+9+2+7=19, 1+9=10, 1+0=1. A numerologia acredita que este seja um número de quem tende a liderar e cuja vida pede decisão, agilidade e independência. Talvez essa descrição tenha a ver com o assunto deste texto. Não, caro leitor, esse texto não trata de superstições ou crenças. 21 de agosto de 1898 é simplesmente a data de fundação do Club de Regatas Vasco da Gama, em uma reunião (provavelmente às 14:30) no prédio 293 da Rua da Saúde, região central da cidade do Rio de Janeiro. A numerologia carece de provas, adeptos e aceitação (inclusive da aceitação de quem vos escreve), porém o Gigante da Colina pode ser descrito muito bem pelas inúmeras conquistas e por sua numerosa torcida. Para quem aprecia o caráter místico do mundo da bola, há a feliz frase de Nelson Piquet: “Vestir uma camisa que já vem até com faixa de campeão é coisa de predestinado.” E realmente aqueles 60 portugueses e brasileiros foram predestinados ao idealizarem uma nova agremiação esportiva, com nome inspirado pela celebração do quarto centenário da descoberta do caminho marítimo para as Índias.
Hoje, em agosto de 2010, os milhões de vascaínos celebram os 112 anos de existência deste clube que deixou e deixa suas marcas na história esportiva e social do Brasil. Os remadores vascaínos, já em suas primeiras competições, ostentavam a cruz cravada na faixa diagonal. Ao longo do tempo, o heróico português passou a ter seu nome defendido nos campos de futebol, passou também a ter representações em outras modalidades, o clube se popularizou, os uniformes foram se modificando. Hoje a cruz de malta (não entrando no mérito do nome desta), não está mais no centro das camisas como se via nas primeiras vitórias das regatas protagonizadas pelos vascaínos. Esta cruz, atualmente no lado esquerdo do peito, tem muita história para contar.
Ao longo dos anos, sem negligenciar a tradição de suas origens, o Vasco foi se modernizando. O pioneirismo foi exibido na construção do Estádio Vasco da Gama, abençoado pela alcunha de ‘São Januário’ e que serviu de palco para momentos históricos do país como o abrigo a militares da FEB, os discursos de JK e Getúlio. A luta contra o preconceito racial e social, a primeira conquista de um campeonato oficial continental na história do futebol mundial (que foi também o primeiro título conquistado no exterior por uma equipe brasileira), a primeira presença de um clube carioca na Europa... enfim, nem os diversos livros a respeito, nem os gigabytes da internet e nem a bela Sala de Troféus conseguem resumir tão bela trajetória.
A felicidade de ser Vasco só consegue ser sintetizada da melhor forma no coração de cada cruzmaltino. Ainda assim, o apaixonado extrapola os limites de seu corpo e faz ecoar bem alto o nome, sem abreviação, daquele time que já nasceu dissílabo e paroxítono. Que a nau vascaína continue intrépida por mais 112 anos!"
Guilherme de Moura Rocha Teixeira, para o Blog da Elite

Parabéns ao Vasco.
ResponderExcluirE ficou bacana pra caramba o texto.
Espero que continue vice do mengão =D
Muito bom o texto. Legal esse espaço para que outros membros da comunidade possam escrever seus textos e postar aqui onde qualquer um que acessa pode ler.
ResponderExcluirQue texto bem feito, parabéns
ResponderExcluirMuito bem escrito. Parabéns para o escritor :D
ResponderExcluir